Sábado, 18 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Graciosa Online

Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.

Luís Costa

2012-08-10 01:16:29

Turismo "made in Açores"... Apologia a um Carcinoma



 
O desenvolvimento socioeconómico das regiões ultra periféricas, devido ao seu isolamento geográfico, está diretamente proporcional à porção de ligações que possui com os seus parceiros de mercado, quer por meios de ligação, quer marítimos, quer aéreos a quem têm acesso.

O arquipélago dos Açores, dado à sua posição geográfica está de igual forma dependente da qualidade e quantidade de ligações que possui com o exterior. Com a contínua mudança de hábitos arreigada na população geral, levando a que visualize um exponencial aumento do volume de turistas a nível global. Os transportes aéreos têm acompanhado essa tendência de crescimento, tornando-se dessa forma um veículo propagador de progresso económico, em especial para as regiões insulares, que dado a questões físicas e geográficas, se têm inclinado para o sector turístico.

Dissecando e analisando de forma rudimentar obscena e pictórica o tema turismo "made in Açores" vem-nos instantaneamente à ideia a materialização de um organismo (Açores) atingido por um "cancro" (falta de turismo) que se espalha descontroladamente pelos restantes órgãos (sectores empresariais regionais), sendo que como qualquer maleita cancerosa, este deve ser contido de forma célere através de tratamentos cruciais e indispensáveis (legislação). As constantes políticas regionais, perante esse ignóbil agente cancerígeno, têm adotado uma postura inócua, mesmo sabendo da sua existência, nega em agir ao combate eficaz à sua presença, através da máquina legislativa, deixando se auto destruir por bacoco medo de agir.

O tema das ligações aéreas entre o continente europeu e o arquipélago açoriano tem-se tornando na última década um verdadeiro conteúdo venéfico, acentuado nos últimos anos, pela ação da população através de baixos-assinado, em especial do sector hoteleiro e do comércio açoriano, almejando uma possível liberalização do espaço aéreo açoriano. De forma a atrair à região outras companhias aéreas, em especial das designadas "low-cost", numa forma de agilização dos preços praticados nas passagens, dado à direta concorrência com a parceria das companhias SATA/TAP, que detêm os direitos das rotas do arquipélago com o Continente. Destacando-se esta rota como aquela que se materializa essencial ao desenvolvimento turístico, e consequentemente, socioeconómico dos Açores.

Viajar atualmente para as grandes capitais europeias tornou-se num veio atrativo, dado ao vasto leque de preços inteligíveis de uma fasquia mais reduzida, praticados ao nível das companhias de transportes aéreos, aliando a este facto o também aumento da qualidade e quantidade da oferta neste sector.

O abastecimento do sector turístico nos Açores, em termos brutos, está dependente da rota aérea Continente-Açores, continuando circunscritas a dois operadores SATAinternacional e TAP, que realizam voos segundo um modelo de "Serviço Público".

Os preços praticados pela parceria SATA/TAP para os Açores podem ser caracterizados como absurdos, uma vez comparando com os preços praticados pelas mesmas companhias aéreas para o homólogo arquipélago da Madeira, após a liberalização do seu espaço aéreo.

O panorama agrava-se, analisando o estado socioeconómico atual, onde o padrão do turista moderno privilegia a poupança nos custos da deslocação aérea, valorizando em contra partida a qualidade das instalações de estadia.

O caso do Arquipélago das Canárias torna-se pragmático no ponto de vista do observador, uma vez segundo os dados divulgados IET - Instituto de Estudos Turístico, concentraram 39,4% do crescimento do turismo internacional em Espanha no ano de 2011, com mais 1,57 milhões de turistas em 2011, idolatrando-se como o destino espanhol que mais contribuiu para o ano recorde registado pelo País vizinho, com um impressionante acréscimo de cerca de mais 4 milhões de chegadas. Este exponencial aumento deveu-se em grande parte à entrada em cena no mercado aéreo das Canárias, das companhias low-cost, durante a última década.

Este estonteante aumento do turismo nas Canárias, levou mesmo a alcançar o titulo de primazia como o arquipélago de destino turístico número 1, do trio de Arquipélagos da Macaronésia, levando com que os Açores fossem literalmente ao "tapete" por knock out, sendo relegando para o terceiro posto como destino turístico, e ainda a uma considerável distância do Arquipélago da Madeira.

Mas para as empresas aéreas conotadas de low cost, como é exemplo a EasyJet e Raynair, virarem-se para os Açores e entrarem no mercado, a legislação regional quanto ao espaço aéreo regional teria de ser alterada.

O contrato de "Serviço Público" de transporte aéreo açoriano obriga a que as companhias aéreas sob essa alçada, estabeleçam ligações aéreas semanais Continente - Açores em cinco ilhas distintas, levando a que as companhias low-cost não se interessem de forma expressa, pela entrada neste mercado, uma vez que apenas o destino Ponta Delgada, pelo volume de passageiros auferido, promete locomover lucro garantido.

No sentido de captar o interesse de outras companhias, o governo regional tem pronta uma proposta de alteração das obrigações de "Serviço Público", mas porventura ainda não conseguiu instaurá-la, alegando ainda não ter agendando uma reunião com o ministro da economia Álvaro Santos Pereira, do Governo da República. Apesar de o Governo dos Açores, ter movido esforços no intuito de diminuir a discrepância de preços praticados pela parceria SATA/TAP, como recentemente, através da legislação de uma redução de tarifas passando os dois operadores a poderem vender tarifas mais acessíveis, o seu impacto no acréscimo do número de turistas, não se tem verificado porventura, em termos de percentagem bruta. Colocando em sinal de alerta os núcleos empresariais do sector Hoteleiro e do Comércio.

O espesso nevoeiro da burocracia adensa o processo de liberalização do espaço aéreo açoriano, dando a intermitente ideia que o processo tem sempre o intuito de proteger a SATAinternacional, ao desdém dos interesses dos açorianos.

Sem uma adjetivação de sumidade, visando unicamente a rápida resolução do assunto, é por mim proposto de forma a salvaguardar os interesses dos açorianos, como medidas a aplicar pelo Governo Regional:



O espesso nevoeiro da burocracia adensa o processo de liberalização do espaço aéreo açoriano
1º A liberalização faseada do espaço aéreo regional, processando-se numa primeira fase a liberalização das ligações aéreas para o aeroporto de Ponta Delgada - Continente, e numa segunda fase as ligações para o aeroporto das Lajes. Isto permitiria a captação de companhias low-cost numa primeira instância, levando uma exponencial baixa de preços nas passagens, permitindo ao comum turista alguma margem de manobra económica, encetando à visita de outras ilhas, quer pela SATA Air Açores, quer por via das ligações marítima;

2º Privatização de uma parcela da SATA Internacional, através de uma parceria público-privada, de forma a diminuir os gastos em caderno de encargos do Governo Regional, na gestão financeira da companhia;

3º Apostar nas ilhas com menor capacidade hoteleira, como a ilha Graciosa, nos incentivos ao restauro de habitações abrangidas pelo programa de Turismo Rural, de forma a aumentar a disponibilidade de estadia, reduzir a taxa de inflação ao nível de preços por estadia nas ilhas de menor volume populacional;

4º Apostar na captação de turismo low-cost, em especial de faixas etárias mais jovens, permitindo a fidelização de mercado a longo prazo;

5º Divulgação do destino Açores junto de países com mercados emergentes.

Desta forma ambas as partes, Governo/População, sairiam ganhadoras. Sendo que a parceria SATA/TAP continuaria com os privilégios de "Serviço Público", com uma maior regularidade de ligações, sendo que o aumento turístico, beneficiaria o cardápio das ligações inter-ilhas a cargo da SATA Air Açores e Atlanticoline.

Apesar de os muitos protestos populares, e das várias petições entregues ao Ministério Público, há que ecoar as vozes de protesto um tom mais alto, e em consonância, de forma a aplicar um pictórico golpe acrobático de Muay Thai, em jeito de autodefesa aos constantes golpes desferidos ao nosso desenvolvimento económico, assente no turismo.

O "prato low-cost nos Açores" à muito que foi servido à mesa da opinião pública açoriana, mas perante a proximidade de eleições regionais, certamente o assunto voltará à baila, e voltará a provocar indigestões e cólicas em certos lideres políticos, que negam a imediata e cirúrgica resolução do assunto.

Atualmente, vivemos numa "aldeia global", será que os Açores ainda vão a tempo de apanhar o comboio do progresso e da autossuficiência?


* Estudante de arquitetura paisagistica

por: Rogério Mendonça



A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.

Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.

Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.





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Luís Miguel da Cunha Costa nasceu na ilha Graciosa em 1978-04-06. Em setembro de 1996, ainda com o estatuto de trabalhador estudante, iniciou funções de animador, repórter de informação e narrador desportivo na Rádio Graciosa. Foi também colaborador do jornal Diário Insular na área do desporto. É reporter de ilha da RDP desde fevereiro de 1999 e da RTP desde agosto de 2004, sendo o primeiro correspondente a prestar serviços nos Açores para a rádio e televisão em simultâneo, ainda antes da fusão das respetivas empresas. Foi também pioneiro na utilização das ferramentas digitais com o lançamento do "graciosa online" em 2009. É colaborador da Rádio Graciosa e do mensal "O Breves". Exerce ainda as funções de operador de assistência em escala, sendo efetivo da Sata Air Açores, a tempo parcial, desde 2001.



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GRACIOSA LHE CHAMARAM...


 

A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos

Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas





Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.

António Gil, 1868





A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...

Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas





"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.

José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado 





Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.

António Gil, 1868





Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...

António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa





Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.

Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha





Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.

João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso





Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.

Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador





E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...

Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena 





Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.

E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.

E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação. 

Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho 





Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!

Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras





Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...

José Berto
 

        
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