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Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal. Nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. Este é um blogue com vídeos da ilha.
"Se queres ser universal, começa por pintar a tua aldeia".
Tolstói
Em tempo de globalização e massificação, e numa era marcada pela mistificação e pela desidentificação, há, nos Açores, um punhado de estudiosos atentos à realidade local e dispostos a contribuir para a valorização histórica destas ilhas.
Refiro-me aos historiadores locais que aí estão a mostrar e a demonstrar que é a partir da História local que se chega à História universal. De resto, e num outro contexto, já no-lo havia lembrado Miguel Torga: "O local é o universal sem paredes; (...) quanto mais local, mais universal".
Há grandeza em ser-se historiador local. Gaspar Frutuoso, Padre António Cordeiro, Frei Agostinho de Monte Alverne, Frei Diogo das Chagas entre tantos outros que lhes sucederam foram historiadores locais e hoje não podemos passar sem eles.
Nos seus trabalhos de investigação, os historiadores locais falam do passado, reflectem o presente e perspectivam o futuro das suas freguesias, vilas, cidades e ilhas. E gostam de documentar os seus livros com abundantes gravuras e registos fotográficos, demonstrando uma especial apetência para tudo o que seja efeméride. São também vagamente sociólogos. Numa escrita directa e comunicativa, e em livros que trazem a chancela autárquica, evocam as festas religiosas e profanas, os usos e os costumes da sua terra. Falam, com fé e amor, da sua ilha e do seu povo, cuja História analisam de forma apaixonada.
fico a pensar na imperiosa necessidade de se reconstituir uma História das Artes dos Açores
Quase sempre bem documentados e informados, os historiadores locais dão, ao que escrevem, tratamento criterioso e meticuloso, eles que possuem a capacidade de informar, esclarecer, decifrar e avaliar, incorporando nos seus estudos os métodos e as preocupações dos mais diversos ramos da investigação. Lendo algumas das suas obras, fico a pensar na imperiosa necessidade de se reconstituir uma História das Artes dos Açores. Porque foi através das artes que os açorianos deram resposta às eternas perguntas da vida. Temos que preservar o património arquitectónico dos Açores, desenvolver os nossos recursos espirituais e salvaguardar as obras de arte que os nossos antepassados nos legaram.
Por exemplo: o que se tem feito pela salvaguarda de todo o recheio das nossas igrejas? Os espólios nelas existentes estarão todos inventariados e devidamente acautelados?
Sabemos que, em tempos de pirataria, houve muito espólio roubado, queimado e arruinado para sempre. E não desconhecemos o resultado das malfadadas causas naturais: convulsões vulcânicas, sismos, enchentes, tempestades marítimas, os altos índices de humidade, etc. Além disso, os templos eram sujeitos a incêndios e, à incúria do homem, juntou-se sempre a constante falta de verbas para reconstrução e requalificação. Mas convirá não esquecer que, nos confortáveis tempos que correm, continua a haver por aí muitas outras formas de pirataria. Há que estar vigilante e atento ao nosso património.
Defendo o princípio de que não há cultura nacional se não houver uma verdadeira cultura regional. Por isso saúdo os historiadores locais que, partindo à descoberta das suas raízes, buscam a nossa identidade cultural.
por: Victor Rui Dores
A Graciosa está aqui. Porque nem todas as imagens cabem no Telejornal e nem todos os graciosenses vivem na Graciosa. O Graciosa Online é um blogue com vídeos, noticias e opinião da ilha branca, reserva da biosfera. Esta é a nossa janela para o mundo.
Projeto pioneiro nos Açores, desenvolvido por Luís Costa, jornalista, repórter residente da RTP/Açores na ilha Graciosa. Criado a 17 de novembro de 2009.
Este blogue foi "caso de estudo" na tese de mestrado da jornalista Fabiana Bravo: "O jornalismo hiper-local na era digital - o contributo do Graciosa Online para a RTP", defendida a 16 de julho de 2012 na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e obteve 16 valores.

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CRÓNICAS
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André Bruno Cristina
Cunha Silveira Cabeceiras
Fábio Gabriel Joana
Mendes Melo Ferreira
Jorge Júlio Luís
Cunha Mendonça Lobão
Lurdes Madalena M. Jorge
Cunha Picanço Lobão
Marco Merçes Miguel
Martins Coelho Estorninho
Paulo Rita Rita
Aranha Ávila Silva
Rogério Rui Sérgio
Mendonça Carneiro Mendonça
Sofia Teresa Vânia
Rocha Reis Bettencourt
Victor William
Rui Dores Brenuvida
Luís Tiago José
Pereira Avelar Ávila
Pólo Local de Prevenção
e Combate à Violência Doméstica da Graciosa
VIDEOS RECENTES
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Falta de medicamentos
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EM CARTAZ

AGENDA CULTURAL
Museu da Graciosa
CINEMA
Centro Cultural da Ilha Graciosa
LINCOLN
24 maio

O IMPOSSIVEL
31 maio

Bilheteira: 20h30 | Sessão: 21h30
GRACIOSA LHE CHAMARAM...
A Ilha Graciosa desenha-se ao longe
como dois bocados de pão mal partidos
Vitorino Nemésio, in
Corsário das Ilhas
Ei-la surgindo mimosa
das águas do fundo do mar,
Rainha leda e garbosa
No Atlântico a reinar!
Esmeralda dos Açores,
Lindo açafate de flores,
Feitiço de mil primores,
Berço gentil de amores!
Oh, pátria, te vou cantar.
António Gil, 1868
A Graciosa dum verde
muito tenro acabando
dum lado e do outro
em penhascos decorativos...
Raul Brandão, in
As Ilhas Desconhecidas"À primeira vista" parece por vezes, ser uma paisagem agreste; mas logo surge uma encosta florida, uma Feteira de arvoredo frondoso, um vale das Courelas com suas culturas e os afamados vinhedos da Terra do Conde, e outros motivos que nos alegram a vista.
José Simões Borges, in
Manhãs de Sábado Amo as rochas empinhadas
que ao oeste e norte dão
- pontas da serra escalvadas
- Do Pico Negro a negridão;
Amo as costas do nascente
Onde as ondas mansamente
Vão quebrar sua corrente
No areal tão luzente
Do sol ao mago clarão.
António Gil, 1868
Quem te pôs nome tão
lindo,
Que é tão próprio,
tão teu,
Nos legou eterna prova
Do bom gosto e génio seu...
António Borges do Canto Moniz, in
Ilha Graciosa
Falar desta ilha é,
antes demais,
falar do paraíso perdido
na minha infância,
isto é, da alegria
dos meus verdes anos.
Victor Rui Dores, in
A Graciosa Ilha
Que risonho panorama,
Que subline inspiração!
Se o meu estro se par'cesse
Ao que o sente o coração,
Em torrentes de poesia
Te inundara, ilha formosa.
E um poema escreveria,
Que eu chamara - GRACIOSA.
João Hermeto d'Amarante, in
Páginas de Prosa e Verso Santa Cruz, a capital
É a mais linda p'ra mim
das vilas de Portugal
Santa Cruz é um jardim.
Guadalupe, linda aldeia
Onde crescem os trigais
No céu, linda lua cheia
Ilumina seus casais.
A Praia olhando o mar
Sorri contente ao ilhéu
E o sul vive a sonhar
Com a Luz olhando o céu.
Juventino Silva Correia, in
Juventino Ramos, poeta cantador
E aquela gente!!! De sorriso sempre aberto, mesmo que o coração se lhes doa, mesmo que a velhice as consuma, mesmo que a pobreza se lhes aperte...
Rosa Meireles, in
Graciosa ilha serena
Aqui
entre o azul
e o mar que me circunda
é quase perfeita a coincidência.
Atrevida e fugazmente desfeita
por um verde envergonhado
que acaba sempre azul
ou categoricamente esfacelada
por um inequívoco e invernal
cinzento.
E no âmago do liquido,
lá onde a luz se perde
e onde a luz se faz,
a abissal fosforescência
de peixes misteriosos,
a ondulante e sensual
insinuação das algas
e a secreta e vital marca
do mais remoto início.
E lá ficamos
plasmados num horizonte
vertical e marítimo
onde bate sereno e azul
o nosso olhar.
Ouve-se então
claro e inconfundível
o grito
da criação.
Manuel Jorge Lobão, in
Passam Seres Luminosos Vestidos de Vermelho
Aqui deixamos a
Ilha Graciosa,
ao por do sol,
que fica à espera
daqueles que sabem
apreciar a natureza
em toda a sua força,
por vezes quase
selvagem!
Norberto da Cunha Pacheco, in
Graciosa, Imagens e Palavras
Branca,
desmaia-te o gesto
na brisa que poisa,
borboleia-te
a cor do íris
que poiso breve,
melodia-te
o negro azulado,
húmido,
do grito em serenata,
rendeia-te
o frio de chuva,
bailarino
voado em vento,
baralha-te
o pingo de água,
lágrima de telha,
beiral
de nada abrigo...
José Berto