Sábado, 18 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Comunidades

Irene Maria F. Blayer, Lélia Pereira Nunes

2013-05-10 15:00:43

EXPOSIÇÃO: Memória, Devoção e Brasilidade – Coleção Ruth e Paschoal Grieco, Museu de Arte Sacra de São Paulo




O Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP, equipamento da Secretaria de Estado da Cultura, inaugura a exposição Memória, Devoção e Brasilidade – Coleção Ruth e Paschoal Grieco, com curadoria de Beatriz Vicente de Azevedo, exibindo 93 peças, entre imaginária, talhas, mobiliário,
pinturas
e prataria.


EXPOSIÇÃO: Memória, Devoção e Brasilidade – Coleção Ruth e Paschoal Grieco,    Museu de Arte Sacra de São Paulo


Museu de Arte Sacra expõe peças da coleção do casal Grieco

Mantido pela Secretaria de Estado da Cultura, o Museu de Arte Sacra de São Paulo é uma das mais importantes instituições do gênero no país. É fruto de um convênio celebrado entre o Governo do Estado e a Mitra Arquidiocesana de São Paulo, em 28 de outubro de 1969, e sua instalação data de 28 de junho de 1970. Desde então, o Museu de Arte Sacra de São Paulo passou a ocupar ala do Mosteiro de Nossa Senhora da Imaculada Conceição da Luz, na avenida Tiradentes, centro da capital paulista.
A edificação é um dos mais importantes monumentos da arquitetura colonial paulista, construído em taipa de pilão, raro exemplar remanescente na cidade, ultima chácara conventual da cidade. Foi tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, em 1943, e pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Arquitetônico do Estado de São Paulo, em 1979.
Tem grande parte de seu acervo também tombado pelo IPHAN, desde 1969, cujo inestimável patrimônio compreende relíquias das histórias do Brasil e mundial. O Museu de Arte Sacra de São Paulo detém uma vasta coleção de obras criadas entre os séculos 16 e 20, contando com exemplares raros e significativos. São mais de 14 mil itens no acervo. O museu possui obras de nomes reconhecidos, como Frei Agostinho da Piedade, Frei Agostinho de Jesus, Antonio Francisco de Lisboa, o “Aleijadinho” e Benedito Calixto de Jesus. Destacam-se também as coleções de presépios, prataria e ourivesaria, lampadários, mobiliário, retábulos, altares, vestimentas, livros litúrgicos e numismática.

Neste Maio Outonal,dia14 próxima terça-feira,o Museu de Arte Sacra de São Paulo – MAS/SP inaugura a exposição Memória, Devoção e Brasilidade – Coleção do casal Ruth e Paschoal Grieco, com curadoria de Beatriz Vicente de Azevedo, exibindo 93 peças, entre imaginária, talhas, mobiliário, pinturas e prataria.

Funcionalidade e simbolismo são marcas de cada uma das peças pertencentes ao núcleo de prataria sacra cristã desta coleção, reunida pelo casal Grieco, tais como navetas, turíbulos, caldeiras para água benta, sinetas, âmbulas, cálices, galhetas, bacias, gomis, luminárias, candelas e castiçais. Entre os destaques da exposição estão a coroa, o bastão e a salva encimada por uma pomba, objetos utilizados na tradicional Festa do Divino Espírito Santo.

A prata não era um material fácil de obter no Brasil colonial e imperial. Ela era trazida das minas de Potosí (Bolívia) através do Rio da Prata, do México e da Espanha. Era também fundida por ourives a partir de objetos estragados ou fora de moda. Uma outra alternativa foi o uso das moedas circulantes, devido, inclusive, à qualidade da liga de cunhagem. O uso das moedas para a produção de objetos em prata foi tão intenso que, para se ter ideia, o dinheiro na colônia tornou-se escasso. Após inúmeras tentativas de se fiscalizar metais e pedras preciosas em circulação pelo Brasil, foi promulgada em 1766 a Carta Régia, que proibiu terminantemente o ofício de ourives no país, lei esta que vigorou até 1815. Durante esses 49 anos os ourives continuaram a atuar e, ao que tudo indica, em maior número. Peças desse período revelam um aprimoramento técnico desses artistas perseguidos.

“Os bens culturais que Ruth e Paschoal com rigor e critério reuniram ao longo de mais de quatro décadas são testemunhos ‘sólidos’ e relevantes da memória e da identidade brasileira”, comenta Beatriz Vicente de Azevedo sobre os objetos em exibição. “Cada peça que integra a coleção passou pela lupa, pelo estudo de publicações e pela pesquisa minuciosa”, diz ainda.

Um dos objetivos da mostra é reafirmar a enorme importância que as coleções particulares possuem para a preservação de patrimônios culturais. “Após o contato com o objeto, tem início uma inquietação, um desassossego que se traduz em muita observação, pesquisa, estudo e crítica. O casal Grieco é extremamente rigoroso nas escolhas, apesar de ser encantado com a força e o sabor da arte brasileira do período colonial e imperial”, avalia a curadora.

Além dos objetos em prata, será exibida uma seleção de pinturas, móveis e imagens, também da coleção Ruth e Paschoal Grieco.


Exposição Memória, Devoção e Brasilidade – Coleção Ruth e Paschoal Grieco
Curadoria Beatriz Vicente de Azevedo
Abertura 14 de maio de 2013, terça-feira, às 19h
Período 15 de maio a 07 de julho de 2013
Local Museu de Arte Sacra de São Paulo – www.museuartesacra.org.br
Avenida Tiradentes, 676 – Luz, São Paulo
Tel.: (11) 3326-5393 - visitas monitoradas
Horário terça a sexta das 9h às 17h, sábado e domingo das 10h às 18h
Ingresso R$ 6,00 (estudantes pagam meia); grátis aos sábados
Número de peças 93

Imprensa:
Museu de Arte Sacra de São Paulo
Balady Comunicação - Silvia Balady/ Bruno Palma
Tel.: (11) 3814-3382 – contato@balady.com.br

Secretaria de Estado da Cultura
Giulianna Correia – (11) 2627-8243 gcorreia@sp.gov.br
Renata Beltrão – (11) 2627-8166 rmbeltrao@sp.gov.br





por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Canadá,Brasil,Portugal

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2013-05-08 20:16:54

São Jorge, Pianos de Mar - Carlos Faria (S. Jorge-ciclo da Esmeralda (1977)

A professora doutora IRENE MARIA BLAYER, co-coordenadora do Blog Comunidades, desde 28 de Abril, integra a comitiva oficial do Governo do Canadá ao Brasil, com Canadian Bureau for International Education e a Association of Universities and Colleges of Canada. Importante visita de intercâmbio educacional, colaboração académica e de pesquisa científica, às Universidades dos Estados de São Paulo (UNESP, USP e UNICAMP) --com as que a Universidade Brock mantem protocolos oficias de investigação científica--; além de Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Pernambuco.
Irene Blayer, Ph.D., Linguística Românica, é Full Professor, MLLC - Faculty of Humanities, Brock University St. Catharines, ONTARIO, Canada. Nesta viagem,representa a sua Universidade integrando uma equipe de reitores, dignatários e académicos de Universidades canadenses,o que constitue um reconhecimento, uma honraria pelo trabalho que realiza como professora e investigadora.
Boa Sorte,neste nosso Brasil.

Por tudo isso, saúdo a minha colega sanjorgense (com antepassados que emigraram para Santa Catarina) com a poesia de Carlos Faria (1929-2010) que veio do Continente, amou São Jorge, adotou esta terra como sua e cantou como ninguém a beleza daquela Ilha açoriana.

Lélia Pereira Nunes






São Jorge, Pianos de Mar - Carlos Faria (S. Jorge-ciclo da Esmeralda (1977)

São Jorge, Pianos de Mar - Carlos Faria
(S. Jorge-ciclo da Esmeralda,1977)

Do Corvo a Santa Maria…
Fico na ilha de São Jorge: com laços de luz
nos ouvidos à espera que o moinho
do morro das Velas venha um dia
a moer a memória da distância
e o morro de Lemos seja da altura
da lua!

Nas ruínas da casa de Francisco de
Lacerda há-de haver um piano
com cauda de mar
que vá desde a Fragueira à Fajã
de S. João
e passe o seu silêncio através do canal
nas asas dos grilos!...

Fico em São Jorge para ouvir
o mar dar a volta ao silêncio
e cobrir de azul toda a água da noite
e ver o funcho a crescer pelos caminhos!

Espero no cais das Velas o regresso
dos pescadores e canto a raiz
das conteiras ao sol da manhã.
Fico em São Jorge
como um homem antigo cheio
de hábitos modernos. Como um
peixe de sangue quente, coração
e mãos ardentes, capaz
da colheita do milho
e da carícia humana dos poemas!


Fico em São Jorge:
– Viajar sem Viajar!



Foto de Mario Nelson Medeiros
In: https://www.facebook.com/marionelsononface/photos?collection_token=1206715512%3A2305272732%3A6




por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Canadá,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2013-05-07 15:30:00

Do achamento e do nome do Brasil -- DANIEL DE SÁ

A necessidade de nomear a nova terra se colocou para Cabral quando, dias depois, a 3 de maio, partia para a Índia: mandou, então, "arvorar uma cruz mui grande no mais alto lugar de uma árvore e ao pé dela se disse missa. A qual foi posta com solenidade de bênçãos dos sacerdotes: dando este nome à terra, Santa Cruz".

BARROS, João de. Ásia dos feitos que os portugueses fizeram no descobrimento e conquista dos mares e terras do oriente – Primeira Década. 4ª ed. Revista e pref. Antonio Baião. Lisboa, IN/Casa da Moeda, 1988.

Do achamento e do nome do Brasil --DANIEL DE SÁ

Do achamento e do nome do Brasil

 

 Sobre o achamento do Brasil têm-se dividido as opiniões dos historiadores. Há os que pensam que se tratou do descobrimento de uma terra desconhecida, outros que, quando Pedro Álvares Cabral lá aportou, já sabia ao que ia. A versão de que a frota se teria desviado por causa de uma tempestade só surgiu muito depois de 1500, mas do relato de Pêro Vaz de Caminha não pode depreender-se esta hipótese. E uma tempestade, forte o bastante para desviar os navios do seu rumo, sê-lo-ia também para os fazer separar uns dos outros, pelo que dificilmente teriam navegado em conserva até ao final da viagem.

No relato do cronista não há aparência de surpresa ao descrever o avistamento da costa brasileira, o que leva a supor que se tratou de um acontecimento esperado. Além de outros sinais que terão feito acreditar na possibilidade da existência de terras desconhecidas naquelas latitudes, várias viagens haviam chegado já ao Novo Mundo, e numa delas, em 1499, Alonso de Hojeda terá atingido a costa do Nordeste brasileiro. Era fácil, pois, aceitar a ideia de que no Atlântico Ocidental se encontraria uma sucessão de incontáveis ilhas e, além delas, talvez mesmo uma imensa terra firme. E foi esta questão, tratar-se de uma ilha ou de terra firme, uma das dúvidas dos descobridores a respeito do Brasil.

Outra dúvida, a da origem do nome, é um problema moderno. Nada nos descobrimentos portuguesas mostra que os nossos mareantes obedeciam a mitos, antes cumpriam planos rigorosamente elaborados. Portanto, ligar aquele nome a lendas célticas parece mais fruto de uma imaginação fértil ou ousada do que de um interessado rigor histórico. A palavra brasil e a composta pau-brasil existem na Língua Portuguesa desde tempos antiquíssimos. Ao concluir a carta do achamento levada por Gaspar de Lemos a D. Manuel, Pêro Vaz de Caminha escreveu: “deste porto seguro da vossa jlha de vera cruz oje sesta feira do primeiro dia de mayo de 1500.” (Na carta que D. Manuel escreverá aos Reis Católicos dando-lhes a nova do achamento, o nome com que referirá o Brasil será o de Terra de Santa Cruz.) Embora houvesse na frota quem pensasse que haviam tocado um continente (“terra firme”), a ideia dominante foi a de que se tratava de uma ilha. Mestre João, o astrónomo que acompanhou a expedição para determinar a situação geográfica das terras a que aportasse, enviou também uma carta a D. Manuel, na qual disse: “Quanto, Senhor, ao sítio desta terra, mande Vossa Alteza trazer um mapa-múndi que tem Pero Vaz Bisagudo e por aí poderá ver Vossa Alteza o sítio desta terra; mas aquele mapa-múndi não certifica se esta terra é habitada ou não; é mapa dos antigos e ali achará Vossa Alteza escrita também a Mina. Ontem quase entendemos por acenos que esta era ilha, e que eram quatro, e que doutra ilha vêm aqui almadias a pelejar com eles e os levam cativos.” No final da carta escreveu: “Feita em Vera Cruz no primeiro de maio de 1500.” Portanto, e apesar da convicção de que aquela suposta ilha vinha referida em mapas antigos, não lhe foi dado nenhum dos nomes neles contidos. E se acaso o nome Brasil, que só surgirá uns anos mais tarde, se devesse à crença nas velhas lendas célticas, teria sido certamente o de Ilha Brasil o primeiro nome dado ao imenso território. João de Barros, nas Décadas (1552), deixou dito: “…tanto que daquela terra começou de vir o pau vermelho chamado brasil, trabalhou que este nome ficasse na boca do povo, e que perdesse o de Santa Cruz. Como que importava mais o nome de um pau que tinge panos, que daquele pau que deu tintura a todos os sacramentos por que somos salvos, por o sangue de Cristo Jesus que nele foi derramado.” E, no século seguinte, Frei Vicente do Salvador, autor da primeira História do Brasil e que possivelmente leu João de Barros, haveria de escrever: "como o demónio com o sinal da cruz perdeu todo o domínio que tinha sobre os homens, receando perder também o muito que tinha em os desta terra, trabalhou que se esquecesse o primeiro nome Santa Cruz e lhe ficasse o de Brasil".

Na carga que Gaspar de Lemos trouxe no seu regresso ao Reino, vinha grande quantidade de pau-brasil, que foi a principal razão das viagens que se seguiram à da descoberta. Mas em breve outros corantes o fariam perder a importância que tinha na tinturaria. 

Duvidosa permanece a origem mítica do nome do Monte Brasil, na ilha Terceira. Dificilmente se arranjarão argumentos, quer para a defender quer para a negar. A primeira vez que o nome está documentado é no mapa esquemático de Valentim Fernandes, de 1507, onde consta como o brassill. Luís Teixeira, no mapa que fez das ilhas dos Açores a mando de Felipe II (Filipe I de Portugal), registou-o como P.ª del Brazil, e, na descrição das ilhas em mapas de 1587, escreveu: “…dois portos, um é o de Angra, junto à cidade, o outro o do Fanal que com duvidosos tempos podem estar em cada um, que são de uma parte e outra do Brasil que é a ponta que mostra ser alta.” Gaspar Frutuoso refere-se-lhe como Brasil ou ponta do Brasil. No entanto, a lenda de origem céltica passara a Portugal não como Brasil somente, mas como Ilha Brasil.

 

Maia, São Miguel, Açores.

Daniel de Sá

      

 



por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Açores,Portugal,Brasil,Canadá

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2013-05-06 22:27:15

HIPOPÓTAMOS EM DELAGOA BAY, de Carlos Alberto Machado

«Há quem tenha dito que a escrita de Carlos Alberto Machado é um labor orquestral onde ele baralha as fronteiras entre a poesia e a prosa, a linguagem de todos os dias e a literária. Ou que tem um piloto automático que lhe desencadeia a escrita num jorro, quando é preciso, mas que o trabalho no teatro lhe ensinou que a grande liberdade e o rigor não são incompatíveis e se complementam
                      n: Blog Transe Atlântico

HIPOPÓTAMOS EM DELAGOA BAY, de Carlos Alberto Machado

«Hipopótamos em Delagoa Bay» é um tratado de cobardia sem mestre. Um ajuste de contas com a traição. Um inventário de escombros. Um elucidário de sonhos. Um jogo de memórias. Um ordálio. Uma expiação. Política. Corpos. Paixão. Linguagem.
No século XVIII, em Moçambique, a coroa austríaca instaura uma feitoria em Delagoa Bay - o nome inglês para a baía de Lourenço Marques, ou do Espírito Santo. Um século e meio depois, uma família alentejana, que teve nessa feitoria um antepassado traficante de marfim chega a Lourenço Marques, na altura em que Portugal começava a construir um país, outro país. Hermínio Quaresma, o último representante dessa família, chega até aos nossos dias atravessando a revolução portuguesa e a independência moçambicana. Uma peregrinação pessoal que atravessa tempos e lugares, os das revoluções, dos encontros e desencontros amorosos. A fazer e a desfazer estórias e a História.
Hipopótamos em Delagoa Bay é romance de tudo isto. Sempre atravessado por uma dúvida: "houve aqui alguém que se enganou"?»

_______________________________

foto de Paulo Nuno Silva


Carlos Alberto Machado nasceu em Lisboa.Vive nas Lajes do Pico desde 2005.
É professor,escritor,dramaturgo,editor,produtor cultural.
Tem escrito e publicado livros, mais de duas dezenas, repartidos por ensaio, teatro, poesia e ficção. Por exemplo: Teatro da Cornucópia. As regras do jogo (ensaio, frenesi), 5 cervejas para o Virgílio (teatro, & etc), Registo Civil. Poesia Reunida (Assírio & Alvim), ou Estórias açorianas (conto, Companhia das Ilhas).
Criou, com Sara Santos, em Maio de 2011, a Companhia das Ilhas, que se dedica a editar livros (e a fazer muitas outras coisas…).

Fonte:http://bloguecam.wordpress.com/carlos-alberto-machado/


por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Canadá,Brasil,Portugal,Açores

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2013-05-05 18:21:39

A Arte do Mestre SILVIO PLÉTICOS-- João Otávio Neves Filho



"...soube manter a qualidade e a integridade de sua arte, trazendo para
 Santa Catarina a reflexão e o pensamento analítico imprescindíveis para
a plena compreensão das propostas da arte contemporânea."

                                                 João Otávio Neves Filho – Janga

A Arte do Mestre SILVIO PLÉTICOS--João Otávio Neves Filho

Mestre na verdadeira acepção da palavra, Pléticos é tanto o orientador incansável de gerações de artistas, as quais transmitiu com paixão sua crença inabalável na função social e no poder transformador da arte, quanto artista criativo e versátil. Sua arte reflete a sólida formação da escola européia que freqüentou quando jovem, assimilando com personalidade própria as conquistas dos principais movimentos artísticos da primeira metade do século vinte.

Sua obra assenta-se sobre as tradições da pintura ocidental, dentro das quais buscou elaborar sua própria linguagem e construir sua personalidade artística. Ao chegar a Santa Catarina, nos anos 60, sua pintura matérica e vanguardista passou a ser uma referência para a geração que despontava no cenário artístico local. A pesquisa de novas possibilidades para a expressão artística sempre norteou seus passos. Sua vinda para Santa Catarina ocorreu num momento em que surgia toda uma nova geração de artistas que buscava fugir do figurativismo realista com tímidas nuances modernistas que predominava na arte catarinense. O isolamento provocado pela falta de contato com grandes centros, a inexistência de oficinas, cursos de arte e bibliotecas deixava sem perspectivas quem não se resignasse a ficar inutilmente buscando informações que inexistiam. Outra opção possível que era ficar gravitando na órbita dos mito-mágicos já consagrados e estabelecidos, não correspondia ao que os mais inquietos e insatisfeitos procuravam .Assim houve um verdadeiro êxodo: quem pode foi embora, alguns retornaram nas décadas seguintes

Para quem ficou, a alternativa para buscar uma formação mais consistente e atualizada foi frequentar o curso que Pléticos abriu nos fundos do Museu de Arte Moderna da capital catarinense assim que chegou aqui. Avesso a estrelismos, adepto da educação através da arte proposta por Hebert Read, trouxe a Santa Catarina os ecos tardios da revolução cubista.

Entusiasta do método de Cézanne de retratar três dimensões recorrendo a múltiplas perspectivas, e pelo modo como construía formas a partir de diferentes planos que parecem deslizar ou passar um através do outro, Pléticos instaura na pintura catarinense a técnica da passage que conduz o olhar a diferentes áreas da pintura, e ao mesmo tempo que cria um sentido de profundidade, chama a atenção para a superfície da tela que projeta-se no espaço do observador. Rejeitando a perspectiva limitada a um único ponto de vista com sua representação ilusionista do espaço predominante na arte ocidental desde o renascimento, o cubismo encarou o desafio de representar três dimensões na superfície bidimensional da tela.

No cubismo os objetos mais que descritos são sugeridos e os observadores devem construí-los tanto pelo pensamento como pela visão. Essa nova concepção espacial permite que a obra se torne aberta a múltiplas interpretações e reivindica para a arte um mundo independente do mundo exterior.

Como os métodos revolucionários cubistas foram o catalizador para boa parte dos principais movimentos e estilos que renovaram a arte da primeira metade do século vinte, é fácil avaliar a importância que a atuação de Pléticos teve no sentido de romper com o a defasagem histórica e o anacronismo reinantes que praticamente engessavam a criatividade e desencorajavam a pesquisa.

Com essa nova concepção do espaço pictórico chegando a Santa Catarina rompia-se finalmente com a tradição da narrativa linear descritiva criando-se os alicerces para a renovação da plasticidade catarinense que se consolidará nos anos oitenta.

Porém o ambiente provinciano com que se deparou ao chegar aqui teve um preço. Se por um lado o clima de cidade de interior permitiu-lhe desfrutar da proximidade com a exuberante natureza que tanto ama, por outro, acabou por fazê-lo recuar não na questão de convicções nem de qualidade, mas em termos de propostas mais radicais em seu próprio trabalho criador. Suas pinturas matéricas e não figurativas, que marcaram o período de sua chegada, foram gradualmente dando lugar a figurações pós-cubistas mais facilmente assimiladas pelo público ainda não familiarizado com as vanguardas artísticas do século XX. Mas mesmo adaptando-se de certa forma ao gosto local, soube manter a qualidade e a integridade de sua arte, trazendo para Santa Catarina a reflexão e o pensamento analítico imprescindíveis para a plena compreensão das propostas da arte contemporânea.

Enfatizando sempre a importância do desenho, da informação, do conhecimento profundo da história da arte, ele deu substancial contribuição para a organização da classe artística catarinense e para a evolução dos conceitos e da formação profissional dos jovens que com ele conviviam.

Desde então passaram-se décadas, atravessamos o século e este grande artista continua, a par de seu brilhante trabalho de criação, a orientar e estimular todos que lhe procuram. Sua influência irradia-se por todo estado e em praticamente todas as regiões de Santa Catarina podemos detectar influências de sua obra ou de seus ensinamentos. Num determinado momento de sua carreira, Pléticos, por problemas de saúde, não pode mais utilizar a tinta a óleo. Partiu então para a técnica do esgrafito que desenvolveu de forma a criar uma verdadeira escola. Após suas obras matéricas dos anos 60, é nesta técnica que vamos encontrar boa parte de suas obras mais inovadoras e significativas. Com essa forma de expressão que transita entre o desenho e a pintura e que lembra os processos da gravura em metal, Pléticos dá sua versão pessoal do desafio Picassiano de representar três dimensões na superfície bidimensional da tela, e do desejo de Braque de explorar a pintura do volume e da massa no espaço. Cria então através da personalíssima técnica do esgrafito, monumentais composições onde a aparente simplicidade esconde relações espaciais bastante complexas. Para obter os efeitos visuais procurados, prepara o suporte que em geral é madeira ou Eucatex inicialmente com várias camadas de tinta branca; a seguir são sobrepostas camadas de cores aguadas até surgir uma superfície homogênea. Ao esgrafitar essas superfícies com a ponta seca ou estilete, as camadas sobrepostas vão revelando uma intrincada e impactante construção gráfico-pictórica de grande poder expressivo. Esse processo foi pensado em cada etapa e detalhe de forma a dar o máximo resultado plástico. Essas obras esgrafitadas, com suas cores orgânicas, suas formas coloridas de cores vivas que se contrapõem a planos de valores mais baixos, criam verdadeiras sinfonias visuais orquestradas através dos contrastes de luzes e sombras. Nas composições geometrizantes, estruturadas a partir de linhas entrecruzadas de exuberante riqueza de texturas gráficas e beleza visual, transparece o processo construtivo onde predominam formas interpenetrantes em que a linha tem a função principal. As composições ousadas e monumentais equilibram-se em seu conjunto através de detalhes que acentuam os efeitos visuais. O emprego de camadas superpostas de formas planas cria simultaneamente uma sensação de algum espaço na frente do quadro e desloca outro espaço mais para o fundo. A distinção entre a profundidade pintada e a profundidade literal cai por terra, conferindo as obras um sentimento arquitetônico como se a pessoa enxergasse as coisas tanto no plano como em elevação. Esses assuntos até a chegada de Pléticos em Santa Catarina jamais eram colocados, pois havia uma preocupação excessiva com os temas, o regionalismo, as mitologias pessoais e coisas tais que deixavam em segundíssimo plano ou simplesmente ignoravam questões estruturais básicas que melhor refletissem nas artes o clima intelectual contemporâneo. Muitas das obras paradigmáticas de Pléticos foram criadas através dessa técnica do esgrafito que desenvolveu com maestria e que hoje servem de referência e inspiração para diversos artistas catarinenses.

A personalidade artística de Pléticos possui várias facetas: além de exímio desenhista, pintor, apaixonado arte-educador e pesquisador de arte infantil, ele também tem uma formação de muralista, infelizmente não aproveitada em Santa Catarina. Um único painel seu, criado para o hall de um edifico no centro de Florianópolis, dá a ideia do que perdemos ao não sabermos aproveitar a sua formação de muralista. Outro lado praticamente desconhecido de seu trabalho é sua produção escultórica, onde através de protótipos tridimensionais, a escultura é abordada coo objeto construído e não mais apenas modelado, evidenciam-se suas tendências construtivas pós-cubistas.

A riqueza das diversas facetas da personalidade artística de Pléticos, a grandeza de sua obra, sua atuação como artista e arte-educador, seu profundo conhecimento da historia da arte que com todos compartilha, sua ética profissional, sua paixão pelo oficio que exerce fazem dele um dos nossos mais ricos patrimônios. Que o universo nos conceda o privilegio de com ele conviver por mais muitos e muitos anos.

_______________________________________

            
 Sobre o AUTOR: João Otávio Neves Filho – Janga:

João Otávio Neves Filho, nasceu em Florianópolis, ilha de Santa Catarina.Pintor,gravador, desenhista e crítico de arte. Cursou Belas Artes na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Programação Visual na Fundação Armando Álvares Penteado, Xilogravura com Anna Carolina, Litografia com Antonio Grosso e Arte Contemporânea com Romanita Disconzi. Integrou o Grupo Nossarte. É membro da Associação Brasileira de Críticos de Arte. Expôs nos principais centros culturais do País.
Preocupado com a difusão do Mercado das Artes Visuais em Santa Catarina e,também,com a preservação do Patrimônio Imaterial,representado pelo rico artesanato ilhéu,João Otávio Neves Filho - personalidade ímpar da cultura de Santa Catarina e um grande batalhador pelos valores culturais da terra, criou há mais de três o Centro Cultural Casa Açoriana em Santo Antônio de Lisboa.
É seu Diretor Geral e de lá se faz ouvir como crítico de Arte e como grande difusor do saber cultural de Santa Catarina.







por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Açores,Brasil,Canadá

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2013-05-04 13:50:20

Rui Duarte Rodrigues, "Lamúria dum sargento das índias" - Dito por Olegário Paz (c/áudio)

Açorianidade – 150 [Rui Duarte Rodrigues, “Lamúria dum sargento das índias". Banda da Força Aérea, “Air Force”]

PorqueHojeEhSabado
2013.05.04


   Pintura de Ferreira Pinto,
  Na memória do tempo II,1995
 - Acrílico s/tela, 60 x 80 x 3 cm


Lamúria dum sargento das índias






 

Moço, digo-te, dei a vida

não sei a quê, a quem,

soube-me a pouco, o engano

que muito tive que enganar

pra estar aqui, vivo, velho

de má saúde, sem ouro,

sem fé, sem tostão

 

Digo-te, casa sempre tive

e barco pra viajar e

fortuna pra buscar e vontade

de pelejar por um bem

que nunca encontrei

 

Que tudo isso sempre

se segue e se acredita

mas, ao fim, é este nada

que resulta, esta dúvida

pra deitar fora

 

Espojo de tanta batalha, moço,

dei a vida não sei a quê,

acreditei que à vida,

sem bandeiras pra espetar

em ninguém, nem em colinas,

minas, poços, pólos, mares,

em ninguém, moço,

como vês, acreditei em vão,

há bandeiras espetadas

em toda a parte

 

Só me resta o abrigo do céu,

o infinito, o sem nome, sem dono,

esta casa sem tecto, que

só a terra tomará conta de mim           

e de ti, com todos os seus deuses

e poderes infinitésimos

     

Moço, repito, fosse eu monge,

sábio, servo ou escrava,

dei a vida não sei a quê, a quem          

 

                 Rui Duarte Rodrigues, Com segredos e silêncios,
                
Angra do Heroísmo,IAC, 1994.



Rui Duarte Gaspar Rodrigues (1951-2004), jornalista, poeta, natural da cidade de Angra do Heroísmo,
 ilha Terceira, onde residiu, trabalhou e faleceu.



por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Açores,Portugal,Brasil,Canadá

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)
2013-05-03 12:34:32

“Antunes Severo, o menino do arroio Itapevi” de Ana Lavratti



Com uma carreira tão longa quanto versátil, o radialista, publicitário, professor, executivo e empresário Antunes Severo ganhou uma biografia no dia em que completou 80 anos, em 2 de agosto de 2012. Além do evento oficial de lançamento, no Palácio Cruz e Sousa, a obra está sendo “popularizada” através de uma série de encontros em universidades e espaços públicos. A próxima sessão de autógrafos, com a presença do biografado e da autora, Ana Lavratti, será neste sábado,4 de Maio, às 11h, na Feira Catarinense do Livro, no Largo da Alfândega, em Florianópolis.
O Blog Comunidades,presta sua homenagem ao pioneiro da Publicidade em Santa Catarina,grande comunicador e professor do Curso de Jornalismo - ANTUNES SEVERO - reproduzindo os textos da Apresentação assinados
 pelo empresário Roberto Costa e o jornalista do livro  Moacir Pereira para o livro (biografia)
" Antunes Severo,o menino do arroio Itapevi" da jornalista Ana Lavratti.

“Antunes Severo, o menino do arroio Itapevi”  de  Ana Lavratti

DEPOIMENTO de Roberto Costa: Empresário da área de Publicidade,Presidente da Propague.


Conheci o Antunes Severo há 40 anos, quando ingressei na A.S. Propague na condição de aprendiz de publicitário, e de imediato nos tornamos amigos. Sempre o admirei como profissional e, sobretudo, como pessoa, e a ele devo muito do que sei hoje na profissão que abracei. Mas seu maior legado talvez tenha sido a experiência humana que me transmitiu.

Ponderado diante da adversidade, inquebrantável frente ao desafio, obstinado na consecução dos sonhos, ele acumula o raro talento de mostrar-se humilde no trato, manter o olhar sereno e se expressar em voz desarmada. Outra característica marcante do Antunes é pensar sempre na frente do seu tempo. Desde a época do rádio e, sobretudo, na visão de uma agência de propaganda estruturada profissionalmente quando não se sabia direito o que era isso.

Ao ler este livro, no entanto, percebi que algo de fundamental me escapara esses anos todos na compreensão da sua trajetória vitoriosa. Antunes é um self-made man que, saído de uma infância humilde no interior e após um contato tardio com o estudo, triunfou como radialista e publicitário, tornou-se professor universitário e conquistou respeito em tudo que fez.

Seria o bastante para contar a todos sua história. Uma história de sucessivas superações, num caminho repleto de desafios e vicissitudes - em suma, uma lição de vida. Mas não foi a isso que me referi. A bela biografia escrita pela jornalista Ana Lavratti, permeada pela emoção da primeira à última página, abriu-me os olhos para um detalhe de que eu não me apercebera.

Revela que ele cedo identificou o Deus interior que existe em cada um de nós, e nunca o abandonou. Vem daí a luz que emana de Antunes e o impulsionou a sempre combater o bom combate. Tanto na carreira exitosa quanto na vida particular, ambas construídas com amor, harmonia e dedicação. Por tudo isso, o privilégio de privar da sua amizade me enche de orgulho.

.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.-.



DEPOIMENTO de Moacir Pereira; Jornalista/Grupo RBS, Ex-Presidente da Associação Catarinense de Imprensa, escritor, membro da Academia Catarinense de Letras



Há 50 anos que tenho o privilégio de contabilizar entre os amigos conquistados no jornalismo o honrado nome de Antunes Severo. Até hoje costumo reproduzir o texto-chamada de seu prestigiado programa “Ponto de Encontro”, na Rádio Diário da Manhã, nos eventos e cumprimentos casuais. Mantenho até hoje na lembrança o prefixo musical. Vi o sucesso e convivi com o vitorioso profissional. O título, tive a alegria de reeditar no “Jornal do Almoço” da TV Catarinense, Canal 12, da RBS TV, na década de 80.

De Antunes Severo recolhi exemplos notáveis de profissionalismo, de lealdade, de amizade, de solidariedade e de espírito público. Conheço o excepcional trabalho de voluntariado que realiza no Centro Espírita Nosso Lar.

Radialista, jornalista, professor universitário e pioneiro na publicidade estadual, Antunes Severo escreveu páginas memoráveis na história da comunicação catarinense.

Esta feliz e oportuna iniciativa da jornalista Ana Lavratti não representa apenas uma merecida homenagem a um dos destaques do rádio na segunda metade do século passado em Santa Catarina.

Com um texto leve e objetivo, a autora permite saborosa viagem a uma Florianópolis que não existe mais e que deixa saudades para muitas gerações.

“O menino do arroio Itapevi” transmitiu-nos preciosas lições e magníficos exemplos, graças à extraordinária esposa, que trata carinhosamente de “Pretinha”, companheira de todas as horas e que torna o casal um magnífico paradigma de vida e de família.





por : Lélia Pereira Nunes e Irene Maria Blayer
Tags : Canadá,Brasil

link deste artigo | comentar/ver comentários(0)

Este blogue é  sobre a perspectiva da distância, o olhar de quem vive os Açores radicado na América do Norte, na Europa, no Brasil, ou em qualquer outra região. É escrito por personalidades de referência das nossas comunidades com ligações intensas ao arquipélago dos Açores.

Irene Maria F. Blayer was born in  Velas, São Jorge, Azores, and lives in Niagara-on-the-Lake, Ontario, Canada.  She holds a Ph.D. in Linguistics (1992) and is a Full Professor (Doutorada em linguística, é Professora Catedrática) at Brock University. Neste espaço procura-se a colaboração de colegas e amigos cujos textos, depoimentos, e outros -em Inglês, Português, Francês, ou Castelhano- sejam vozes que testemunhem a  nossa 'narrativa' diaspórica, ou se remetam a uma pluralidade de encontros onde se enquadra um universo  que  contempla uma íntima proximidade e cumplicidade com o nosso imaginário cultural e identitário.

Lélia Pereira da Silva Nunes - Brasil
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, aposentada, investigadora do Patrimônio Cultural Imaterial (experts/UNESCO,Mercosul), escritora e, sobretudo, uma apaixonada pelos Açores. Este é um espaço, sem limites nem fronteiras, aberto ao diálogo plural sobre as nossas comunidades. Um espaço que, aproximando geografias, reflete mundivivências a partir do "olhar distante e olhar de casa," alicerçado no vínculo afetivo e intelectual com os Açores. Vozes açorianas, onde quer que vivam, espalhadas pelo mundo e, aqui reunidas num grande abraço fraterno, se fazem ouvir. Azorean descent.-- Born in Tubarão(SC) and  lives in Florianopolis, Santa Catarina Island,Brasil. She holds postgraduate degreees  in Public Administration, and is an Associate Professor at Federal University of Santa Catarina.

 

--------------------------------------------------------------

Nota: é proíbida a reprodução de textos e fotos deste blogue sem autorização escrita do Multimédia Açores.

Note: Reprint or reproduction of materials from "Comunidades" is strictly prohibited without written permission from Multimedia RTP.

---------------------------------------------------------------

        
DomSegTerQuaQuiSexSab
 1234
567891011
12131415161718
19202122232425
262728293031