Terça, 21 de Maio de 2013
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Comunidades

Irene Maria F. Blayer, Lélia Pereira Nunes

2012-07-12 00:55:00

Os sonhos são da Larissa--- Lélia Pereira Nunes

Os sonhos são da Larissa


A notícia pegou-nos de surpresa, logo nos primeiros dias de janeiro de 1992. Tua mãe estava grávida. Era uma menina ainda agora. Era uma mulher. Chorei muito. Sonhos desfeitos. Os meus. Não, os da tua mãe que junto do teu pai ,embora muito jovens, assumiram com a maior responsabilidade, que os seus dezoitos anos permitiam, a tua chegada.
As lágrimas daquele Janeiro, que hoje busco, na fria noite de 10 de Julho de 1992 eram de grande alegria pelo teu nascimento.
Vinte anos depois, a nossa bonequinha de cabelos muito encaracolados, olhos castanhos imensos, abertos para o mundo e um sorriso que ora aparecia tímido, quase triste, ora se iluminava e resplandecia em sonoras gargalhadas por toda casa desabrochou: é uma bonita Mulher, em todos os sentidos que a palavra gênero femino representa.
Desde sempre a tua tristeza e as tuas lágrimas foram nossas e a tua alegria o nosso maior prazer. Pois. És, a nossa filha de açúcar, a nossa neta, a nossa continuação e a certeza que continuaremos em teus filhos e netos. És o nosso AMOR realizado.
Até agora escrevi usando o pronome Nós, um nós de família e não uma soma de eus.
Daqui em diante vou falar na primeira pessoa: Eu, Lélia ou avó que nem sempre foi de açúcar para te dizer o quanto te amo minha querida neta Larissa. O quanto sinto orgulho da menina-mulher, linda, elegante, sorriso de Monalisa com imensos olhos castanhos que continuam abertos e bem abertos abraçando o seu mundo, buscando seu caminho e construindo o seu amanhã. Da mulher-amiga sempre pronta a estender a mão a seu amigo. Da mulher-sentimento que vive suas emoções sem espalhar ao vento, mas vive intensamente no seu dia a dia. Da mulher-neta que tantas e tantas vezes conflitei na minha ânsia de mãe-avó de querer ensinar a fazer a renda da vida, ou melhor, de querer fazer a tua renda e entrelaçar todos os fios por ti. Esquecia que a tua renda só tu podias fazer. Que tinhas que tecer os fios de um “pico” que podia ser ancestral, no entanto, a tessitura era só tua, mesmo que no avesso o emaranhado de fios não permitia antever a beleza da renda.
Querida Larissa, na vida somos guardiãs e reprodutoras de uma herança da humanidade, na dádiva infinita do papel de mulher. Na juventude dos teus 20 anos, és a herdeira desse legado de valores sociais, éticos e culturais que contribuem para a formação da mulher-cidadã, livre, independente ciente de seus direitos e de suas responsabilidades.
Como aquele primeiro vagido de 1992, não deixes de bramir aos quatro cantos os teus sonhos e ousar realizá-los pelo bem da tua felicidade. Não percas nunca a ventura de viver uma grande emoção, de viver plenamente o amor sob qualquer circunstância. Da intensidade da paixão à serenidade do carinho.
Viva, minha querida Larissa ,viva intensamente todos os dias da tua vida e realize os teus sonhos, pois eles são todos teus, só teus e de mais ninguém.
Parabéns, um grande beijo da Vó Lélia que te ama muito e quer tão somente que sejas uma mulher feliz e realizada na plenitude absoluta do ser MULHER.

P.S. Não te esqueça que a “casa da vó”, será sempre o teu lugar de chegar, de ficar, de partir, de regressar.

Da Vó Lélia
10 de Julho de 2012




por: Irene Maria F. Blayer - Lelia Pereira Nunes

Este blogue é  sobre a perspectiva da distância, o olhar de quem vive os Açores radicado na América do Norte, na Europa, no Brasil, ou em qualquer outra região. É escrito por personalidades de referência das nossas comunidades com ligações intensas ao arquipélago dos Açores.

Irene Maria F. Blayer was born in  Velas, São Jorge, Azores, and lives in Niagara-on-the-Lake, Ontario, Canada.  She holds a Ph.D. in Linguistics (1992) and is a Full Professor (Doutorada em linguística, é Professora Catedrática) at Brock University. Neste espaço procura-se a colaboração de colegas e amigos cujos textos, depoimentos, e outros -em Inglês, Português, Francês, ou Castelhano- sejam vozes que testemunhem a  nossa 'narrativa' diaspórica, ou se remetam a uma pluralidade de encontros onde se enquadra um universo  que  contempla uma íntima proximidade e cumplicidade com o nosso imaginário cultural e identitário.

Lélia Pereira da Silva Nunes - Brasil
Nasceu em Tubarão, vive em Florianópolis, Ilha de Santa Catarina. Socióloga, Professora da Universidade Federal de Santa Catarina, aposentada, investigadora do Patrimônio Cultural Imaterial (experts/UNESCO,Mercosul), escritora e, sobretudo, uma apaixonada pelos Açores. Este é um espaço, sem limites nem fronteiras, aberto ao diálogo plural sobre as nossas comunidades. Um espaço que, aproximando geografias, reflete mundivivências a partir do "olhar distante e olhar de casa," alicerçado no vínculo afetivo e intelectual com os Açores. Vozes açorianas, onde quer que vivam, espalhadas pelo mundo e, aqui reunidas num grande abraço fraterno, se fazem ouvir. Azorean descent.-- Born in Tubarão(SC) and  lives in Florianopolis, Santa Catarina Island,Brasil. She holds postgraduate degreees  in Public Administration, and is an Associate Professor at Federal University of Santa Catarina.

 

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