A programação da Antena 2, em 2006, reflecte uma atitude de abertura a novas ideias, em busca de novos ouvintes e novos hábitos sem comprometer a fidelidade do actual auditório.
A estação assume a sua missão cultural, visando universos abertos e abrangentes, dinamizando os produtores de cultura a nível nacional. Para isso foi programado um magazine cultural diário de uma hora (que abordará não só as várias artes tradicionais, como o mundo mais genérico das ideias, da ciência e do conhecimento), além dum espaço diário dedicado à poesia. Estão previstos, também, programas semanais para acompanhamento específico da actividade musical e literária a nível nacional, incluindo debates e entrevistas, aos quais se junta um programa dedicado aos problemas relacionados com o uso da língua portuguesa. Um documentário etnográfico semanal proporcionará um retrato das tradições culturais populares. Os noticiários (cinco por dia) estabelecerão uma ponte entre a cultura e a actualidade de conteúdo generalista.
O teatro contemporâneo, escrito por novos autores de perfil cosmopolita, terá um lugar de destaque na emissão e também no novo rosto que a Antena 2 procurará implantar na sua página da Internet.
Novas áreas musicais serão exploradas de acordo com padrões de qualidade actualmente reconhecidos: jazz (uma hora por dia), música étnica (uma hora diária de 2ª a 6ª), blues, crooners, fado, e música de pesquisa electrónica (áreas musicais de evocação semanal), ou seja, géneros que, tendo um lugar restrito nas rádios generalistas, requerem uma abordagem empática, criativa e universal na Antena 2.
A chamada música clássica ou erudita, pelo seu inquestionável valor, continuará a ter um peso preponderante, incluindo todas as variantes, desde a música antiga, ao período barroco, romântico e moderno, sem esquecer a criação musical de compositores e intérpretes portugueses. A apresentação tenderá a ser simples e informal de modo a estimular o gosto e a empatia face a esta diversidade de referências universais.
A música mais complexa, contemporânea e experimental, será abordada numa perspectiva pedagógica, que facilite o contacto de novos públicos com os criadores actuais.
Ao longo de 2006, a Antena 2 apostará fortemente na produção de concertos, mais de 50 (média de um por semana), por todo o país, sobretudo para evocar grandes figuras da cultura universal: 2006 marca os 250 anos do nascimento de Mozart, os 150 anos da morte de Schumann, e o centenário do nascimento de Chostakovich, Armando José Fernandes e Fernando Lopes-Graça. Pela sua especial importância, Lopes-Graça será evocado numa edição discográfica baseada em gravações históricas extraídas do arquivo da RDP.
A estação organizará também concertos pedagógicos temáticos com o intuito de seduzir público jovem. Por outro lado reforçará a cobertura de grandes concertos e de outros eventos a nível nacional e internacional (Folle Journée, Festa da Música, Concertos Promenade, Temporada Gulbenkian, Teatro São Carlos, Casa da Música, Centro Cultural de Belém, Orquestra Metropolitana de Lisboa), procurando amplificar o seu efeito junto do grande público. As trocas musicais com outras rádios europeias terão lugar de destaque, como símbolo do intercâmbio cosmopolita, incluindo transmissões ao vivo de concertos, festivais e ópera.
Finalmente a Antena 2 continuará a apostar em programas de autor, segundo o princípio de que o mundo da rádio não se esgota na rádio. Alguns dos mais respeitados criadores culturais portugueses terão lugar de destaque na programação de 2006.
Em geral, os programas da Antena 2, ao regerem-se por horas certas, andarão sintonizados com o ritmo quotidiano dos ouvintes, potenciando a aquisição de novos hábitos de escuta.
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