Cookies no Site RTP

A RTP utiliza "cookies" no seu sítio. Este uso serve para lhe proporcionar uma experiência mais agradável e personalizada. Se o seu navegador de internet estiver definido para aceitar cookies quando visita as nossas páginas consideramos que está a aceitar a nossa política de cookies. Saber mais »
FECHAR
Sexta, 24 de Maio de 2013
Pesquisa na RTP Açores - Informação e Desporto

Comentadores /
Eduardo Ferraz da Rosa

As Tendas da “Silly Season”

Publicado: 2012-07-28 23:26:04 | Actualizado: 2012-07-28 23:26:04
Por: Luciano Barcelos
As Tendas da “Silly Season”



“Silly Season” é uma expressão anglo-saxónica muito usada, corrente e já globalmente tradicional para identificar a época de Verão e os respectivos tempos e ritmos calmosos, mais ou menos supostamente letárgicos e modorrentos, de pasmaceira ou torpor, como se a existência activa, as sensibilidades e as consciências ficassem então possuídas de uma espécie de sonolência lenta ou abúlica que fizesse perder a noção das realidades e dos problemas do quotidiano…

E tudo isto, paradigmaticamente, sob a torreira do sol, as ondulações do mar, as mornas envolvências da areia das praias, a abençoada frescura das árvores, a pacífica e pacificante sombra das pazes campestres, ou a trepidante e frenética dança de cinturas e cabeças que longos dias e cálidas noites – entre refrescos e alguns cocktails (em salgalhada de mau gosto partidário amiúde inseridos em pepineira fanática nas redes sociais, com músicas vivaças ou cantigas ao luar e à mistura…) – vão fazer abanar e talvez cair a alguns, por entre sorrisos de conquista, assédio, pequenas e grandes tentações ou fantasias para todos os gostos, e muitas tendinhas e grandes barracas em velhos e novos acampamentos de interesse!

– Todavia, nesta altura em que todos procuram usufruir de um retemperante descanso estival ou gozar das chamadas “férias grandes”, aquela denominação (à letra: estação tonta ou imbecil…) continua a ser especialmente usada na gíria política e jornalística para significar a quadra do ano em que nada de importante e decisivo se mostra ou aparenta (não) acontecer na vida social e institucional, enquanto a chamada “classe política” vai a banhos ou a outras vilegiaturas de tipo turístico e desopilante, após um ano de pesados (mas não necessariamente forçados) trabalhos e ciclópicas canseiras executivas, parlamentares, tribunícias, autárquicas, etc.

Ora, como é sabido, essa e esta, a nossa, também cosmopolitamente assumida estação ocorre num ritual intocável e impoluto, aonde corpos e almas vão buscar urgente alento (e, às vezes, bem necessária e real inspiração) para aquele outro ciclo da vida pessoal, ou das (suas) carreiras políticas, que dá pelo outonal e suave nome francês de “rentrée”…

– E não há mesmo partido que se preze que não tenha até já planeado o seu palco de animações, ou um parque de diversão, para tão fatalmente previsto, grandioso e mobilizador desfile de actores institucionais e de exímios protagonistas da política-espectáculo que temos, enquanto o País arde e desespera com maus agoiros e ventos cruzados de todos os quadrantes, como naquela parábola do incêndio na Cidade, ao lado da autista tenda do grande Circo (como o filósofo Kierkegaard lúcida e previdentemente contava).

E todavia, a par de idênticos alheamentos nossos contemporâneos, cá temos o mesmo Povo, cada vez com menos Pão mas batendo palmas entre alienações e festarolas de Verão, já nas vésperas das pateadas e da fuga às responsabilidades, quando as contas forem tiradas a limpo, depois de tanta incauta e irresponsável brincadeira com o fogo durante sucessivas, acumuladas e arriscadas silly seasons, – bem armadas todas à tradicional moda portuguesa, desde Belém ao Caldeirão do Corvo, passando ali pelas sedes partidárias à portinhola de cujas barracas as primeiras cabecinhas a despontar não auguram nada de promissor…

– E assim parece que iremos de imaturidade em casmurrice crescentes até aos derradeiros desplantes e à derrota final, coisa aliás bem adequada ao espírito da presente quadra, e da outra que, daqui a um ano, promete trazer do mesmo ou pior, perante a cobarde claudicação dos créditos de quem deveria, sem miopia partidária ou estupidez política, ver muito mais e melhor para cada uma das nossas ilhas e para a Região no seu todo!

 
Eduardo Ferraz da Rosa Eduardo Ferraz da Rosa Professor Universitário, Investigador, Escritor e Ensaísta, tem vasta obra publicada em Livros, Jornais e Revistas. Nasceu na Praia da Vitória, em 1954. Licenciado e Doutorando em Filosofia na Universidade Católica Portuguesa. Sócio de Mérito e Delegado nos Açores da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e Membro Efectivo do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Colabora regularmente em toda a Comunicação Social açoriana e mantém o Blogue "Os Sinais da Escrita" em http://sinaisdaescrita.blogspot.com/
2013-05-10 18:02:53 Eduardo Ferraz da Rosa As Culturas da Rádio
2013-05-03 17:31:25 Eduardo Ferraz da Rosa Memória de um Projecto Cristão para Desenvolvimento dos Açores
2013-04-26 19:11:30 Eduardo Ferraz da Rosa As Leituras dos Cursistas
2013-04-24 19:03:00 Eduardo Ferraz da Rosa Igreja e Política nos Açores durante o Século XX
2013-04-20 12:03:07 Eduardo Ferraz da Rosa 50 Anos de Ultreias nos Açores
2013-04-12 23:26:33 Eduardo Ferraz da Rosa Reencontros com a História
2013-04-10 17:52:35 Eduardo Ferraz da Rosa Cuidados Continuados e Política da Saúde (*)
2013-04-05 15:49:58 Eduardo Ferraz da Rosa Os Lugares Naturais
2013-04-02 11:23:17 Eduardo Ferraz da Rosa Da Narrativa dos Embustes aos Embustes da Narrativa
2013-03-26 15:45:35 Eduardo Ferraz da Rosa Mentes Vazias e Buchos Impantes
2013-03-16 01:10:54 Eduardo Ferraz da Rosa O Território dos Riscos
2013-02-13 17:17:34 Eduardo Ferraz da Rosa A Honra das Casas
2013-02-08 16:59:47 Eduardo Ferraz da Rosa Açores mais desprotegidos no caso da Base das Lajes
2013-02-01 16:06:10 Eduardo Ferraz da Rosa Tragicomédias da Praia e do BENS
2013-01-29 13:05:27 Eduardo Ferraz da Rosa Um patético Relambório
2013-01-25 17:42:54 Eduardo Ferraz da Rosa O testamento das Lajes
2013-01-18 16:38:31 Eduardo Ferraz da Rosa Dois Relatórios letais
2013-01-12 00:26:50 Eduardo Ferraz da Rosa As Lajes em Fogos de Alto
2013-01-04 19:13:10 Eduardo Ferraz da Rosa As terras de Pessoa
2012-12-28 18:40:53 Eduardo Ferraz da Rosa Um Final de Ciclo