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Eduardo Ferraz da Rosa

As Estrelas da Candelária

Publicado: 2012-01-18 11:25:52 | Actualizado: 2012-01-18 11:25:52
Por: Luciano Barcelos
As Estrelas da Candelária




Quando um dos principais cometas políticos do actual Governo de Lisboa – tal como alguns dos seus satélites e comparsas de gémea constelação parlamentar e mais ou menos iluminados (ou em pedra bruta?) pela novamente tão martelada e triangulada Maçonaria em Portugal… – decidiu proclamar a redução das emissões próprias da RTP-Açores a um impreciso mas imperioso postigo insular de 240 minutos diários, logo o Presidente do nosso Governo Regional proferiu uma sugestiva declaração pública na qual se interrogava exemplificativamente sobre que destino dar, em tal hipotético mas aparado relvado de grelha, a transmissões e programas televisivos açorianos como o magazine Bom Dia Açores, as reportagens sobre as Festividades do Senhor Santo Cristo, as Festas Sanjoaninas, etc.

Por mim, e a propósito, devo dizer que sou espectador regular e matinal do citado programa apresentado por Pedro Moura, no qual aliás, por diversas vezes, já fui hospitaleiramente recebido...

– E isto mesmo devo confessar aqui e logo à partida, embora não propriamente sob a forma de declaração de interesse (figura de manifestação outrossim que bem obrigatória deveria ser para titulares de cargos públicos e decisórios, como nomeadamente acontece a tantos e diversos níveis científicos, profissionais e académicos), a par – evidentemente – da legítima assumpção pessoal e voluntária de (in)compatibilidades éticas e deontológicas e de outras, então aí já mais institucionalmente exigentes e relevantes pertenças, ou comum associação, a potencialmente sobreponíveis esferas, entidades de interesse parceiro ou conflitual cerceamento da liberdade de consciência e de manifestação da mesma (que, também essas, deveriam ser democrática e transparentemente bem mais reguladas por Lei, num Estado de Direito que se prezasse!).

Todavia e por outro lado, vem isto hoje a Crónica de jornal por causa do que vi e ouvi com gosto numa recente edição do programa Bom Dia Açores, onde se deu justo e merecido destaque ao excelente trabalho desenvolvido pela Banda Lira Nossa Senhora da Estrela (http://www.liraestrela.com/) da freguesia da Candelária (ilha de S. Miguel), e tal como o mesmo desempenho daquela Banda ficou exemplarmente revelado no seu Concerto de Ano Novo, executado sob a condução do maestro Pedro Alexandre Medeiros Pimentel e durante o qual igualmente actuou o Grupo Coral de Nossa Senhora das Candeias:

– Belo exemplo aquele, de empenho, esmero e qualidade musical, e de objectiva e notória promoção cultural, artística, social e cívica da nossa terra e da nossa gente (jovem, mormente)!

Porém identicamente, mas pelo reverso, triste sinal de lembrança me ficou de que alegadas “sensibilidades” (?) para a Cultura (na actual DRC – que verdadeiramente é incapaz de assumir um projecto de política cultural para e com o PS, e em algumas Autarquias, pasmosamente a tal alheias, com honrosas excepções – como Ponta Delgada e Ribeira Grande…), tantas e tão incautas vezes esquecem realmente muito do mais que importaria acarinhar, – gastando-se a diverso e esbanjando-se a trouxe-mouxe muito do que humanamente resiste e financeiramente há disponível (ou do que em dívida resta…) nas nossas comunidades e suas agremiações…
– Ora assim pouco de frutuoso fica semeado e menos ainda florescerá para o futuro sem os necessários e devidos apoios (concedidos porém alguns, e apesar de tudo, a determinados e descompassados clichés, tiques e toques em vago tom e estilo menor, amiúde para meros diletantismos delicodoces de bafiento salão, academia e confraria, ou então a efémeras artes, faenas e artimanhas em massificado palco e mero espectáculo, amiúde compadrinhadas ambas para mera e presumida “erudição” e deleite palacianos, ou para ditas expressões alternativas e chocalhadas electrónicas, ruidosas, violentas ou simplesmente vulgares (mas querendo passar por populares!), que por aí pululam em quase idêntica esterilidade festivaleira ou à base de choques, estocadas e shots para tanta da nossa atordoada e explorada juventude, ou da alienada e bandarilhada populaça eleitoral …).

E o que aqui digo para o campo da Música, poderia igualmente, estender-se a outras áreas e artes (Teatro, Antropologia Cultural, Literatura, Pintura, Patrimónios Culturais e Históricos, Museologias e Arquivos Locais, Recolhas, Espólios e Coleccionismo Temático, Promoção Editorial e da Leitura, etc.), campos nem sempre pensados e integrados numa estratégia consistente, global e complementar de Educação, Cultura e Ciência para o nosso Arquipélago inteiro, e infelizmente às vezes sem prospectivas estrelas de sorte, sustentação projectiva ou reconhecido mérito à vista e para ouvidos atentos, ao contrário daquilo que tão digna e gratificantemente aquela Banda da Candelária paradigmaticamente bem soube incarnar, demonstrar e comprovar com mestria, dedicação e virtuosismo a todos os Açorianos!

 
Eduardo Ferraz da Rosa Eduardo Ferraz da Rosa Professor Universitário, Investigador, Escritor e Ensaísta, tem vasta obra publicada em Livros, Jornais e Revistas. Nasceu na Praia da Vitória, em 1954. Licenciado e Doutorando em Filosofia na Universidade Católica Portuguesa. Sócio de Mérito e Delegado nos Açores da Sociedade Histórica da Independência de Portugal e Membro Efectivo do Instituto de Filosofia Luso-Brasileira. Colabora regularmente em toda a Comunicação Social açoriana e mantém o Blogue "Os Sinais da Escrita" em http://sinaisdaescrita.blogspot.com/
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